quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Parábola do peixinho vermelho

Num lago onde viviam vários peixes, que formavam um aglomerado, e não um cardume, por não atenderam à perspectiva global, à sobrevivência e à entreajuda.
Neste, os peixes mais fortes faziam o que queriam, comiam o que desejavam e ignoravam os outros.
O peixinho vermelho não era dos mais fortes, mas esta sempre presente quando era preciso. Ele era pequeno, sonhador e queria aprender e descobrir o que existia, pois acreditava que era mais que o lago. Acreditava em outros locais, outros peixes, mais aventura.
Esta personalidade era encarada como aspiração indesejável e, até, um desacato à ordem estabelecida, pelo que quando falava disso, os outros peixes apelidavam-no de “maluco”.
Assim, à medida que o tempo passava o peixinho sentia-se marginalizado e ignorado que pensava “se sair daqui darão pela minha falta?”.
Algum tempo depois resolveu fazê-lo, vasculhava o lago à procura de comida (cada vez mais escassa) e de uma saída. Encontrou um buraquinho muito pequeno entre as pedras limítrofes, mas como ele também já diminuíra o tamanho com o aumento da fome, insistiu e insistiu e com alguma aflição conseguiu passar para o outro lado.
Incrível! Do outro lado também havia água e com corrente, estava no rio! Seguiu o seu ímpeto, explorou, encontrou comida, fez novos amigos com quem partilhou experiências e informação, consolidando conhecimentos.
O tempo foi passando e ele chegou ao oceano, que era imenso, este mundo era muito mais amplo, com novas criaturas.
Depois de se ambientar a este contexto, lembrou-se dos colegas que deixara no lago e perguntava-se: “Será que sentem a minha falta?”, “Será que o lago ainda tem comida e água?”, “Será que verificaram que era possível romper barreiras e partiram?”, “Será que estão bem?”. Estas questões inquietavam-no.
Para não se sentir assim, resolveu, portanto, regressar para tentar ajudá-los.
Ao chegar entristeceu-se, pois a situação degradara-se: fome, seca e morte. Mas com o coração repleto de esperança procurou os colegas e quando os viu tentou dar-lhes informação e mostrar-lhes o caminho.
Os colegas, já enfraquecidos, ficaram estarrecidos, pois questionavam-se como é que o peixinho vermelho, não tendo ido a nenhum lado, ele inventara estas coisas? Sair por um buraquinho para outro mundo?! Mais liberdade?! Mais comida?!
Frente à incredulidade e resistência dos colegas persistiu em lhes dar alento e rumo, mas percebeu que continuava a ser visto como “maluco”, mesmo depois de ter visto muito mais mundo e ter voltado para ajudar.
Triste rumou à saída ainda para mostrar a um colega (já mais magro e cansado pela luta pelo oxigénio) que estava perto disse “Se quiseres viver, segue-me. Tu consegues porque eu também consegui! Agora que estás mais magro vais passar! Anda!”Habituado ao seu mundo o colega não foi e o peixinho, com o coração pesado seguiu só para fora do lago, que afinal era tão pequeno face ao que pensara em tempos e perseguiu a vontade que tinha de pertencer a um mundo maior.

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