terça-feira, 29 de setembro de 2009

Bule 6

Se este espaço surge como centro de escárnio e mal-dizer, serve também para reflectirmos um pouco sobre o que se passa à nossa volta e neste momento tenho que deixar um profundo (mas curto, uma vez que não estou com as minhas faculdades no seu melhor e não quero postar escrituras ilógicas) agradecimento às minhas companheiras de guerra, de luta diária, que tanto apoio me têm dado, cada qual à sua maneira, mas sempre com as melhores intenções. Todos os animais desta selva e, que nos encontramos têm procurado, de uma forma ou de outra, lamber-me as feridas (ou ajudar-me a fazê-lo) e isso não tem preço.

Muito obrigada, do fundo do coração.

P.S.: Quando passar esta fase, pensarei em algo mais profundo (mas não menos sentido) para partilhar convosco. Por agora, remeto-me à insignificância do meu silêncio que, esperemos, não seja tão prolongado quanto se avizinha.

Bule 5

Obesidade e a Teoria do Vai e Vem

Com este título devem estar intrigadíssimas sobre o que direi nesta pequena reflexão. Obesidade? Vai e vem? Ela está louca! Pois bem, desenganem-se, a louca não sou eu…
De acordo com a OMS, a obesidade é uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde. É uma doença crónica, com enorme prevalência nos países desenvolvidos, atinge homens e mulheres de todas as etnias e de todas as idades, reduz a qualidade de vida e tem elevadas taxas de morbilidade e mortalidade. O excesso de gordura resulta de sucessivos balanços energéticos positivos, em que a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia dispendida. Os factores que determinam este desequilíbrio são complexos e podem ter origem genética, metabólica, ambiental e comportamental.
Uma dieta hiperenergética, com excesso de gorduras, de hidratos de carbono e de álcool, aliada a uma vida sedentária, leva à acumulação de excesso de massa gorda. (retirado do site http://www.minsaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/obesidade/causaseconsequenciasdaobesidade.htm).
Consta-se que a falta de (in)formação aumenta a prevalência da obesidade, mas casos há em que, apesar da qualificação declarada, esta doença decidiu instalar-se na vida das pessoas. É óbvio que nem sempre o estilo de vida das mesmas facilita a dissolução das adiposidades e se é verdade que algumas não têm possibilidade de modificar, a priori, esses aspectos, outras há que parecem não querer fazê-lo, utilizando expressões do género “Anda cá”, “Traz-me o material dessa sala”, “Vem cá falar comigo”, como se fosse, extremamente, dispendioso levantar o real traseiro do seu magnificente trono e, sendo importante ou não o assunto, quanto menos puderem mexer-se, tanto melhor.
Este panorama reflecte a pouca vontade de dar luta à obesidade e de transformar os envolventes em formiguinhas apressadas ou num îo-îo em constante vai e vem, qual papa-léguas Beep-Beep a fugir do temível Wilie E. Coiote.
Esta estimada atitude atinge proporções desmedidas, quando a pachorrice se estende ao enorme esforço necessário para ir ao telemóvel, procurar o item contactos e seleccionar o nome da pessoa com quem falar. Denota-se uma preferência súbita, mas quase imediata, pela expressão “Liga-me” nem que, para transmitir tal recado, tenha que enviar uma sms…do…telemóvel.

Há cá com cada coisa…

Bule 4

Cresci com animais…cães, patos, galinhas, cabritos, gatos… Os gatos viviam comigo em casa, partilhavam o meu espaço, as minhas alegrias, tristezas e, apesar de alguma malandrice (típica e até divertida) pude contar sempre com o seu carinho “ronronado”. A minha opinião sobre esta espécie animal sempre foi a melhor, embora tenha ouvido insultos em diversas romarias, especialmente, que são traiçoeiros. Nunca tive más experiências, até que…até que conheci a Kit e descobri uma agulha num palheiro. Fiquei tão espantada com a minha descoberta que decidi pesquisar mais sobre as características dos felinos e dar a conhecer ao mundo as linhas de personalidade que, apesar das dezenas de gatos com quem convivi, só tive a infelicidade de partilhar com a Kit.
Os gatos pertencem à ordem carnívora, na qual os animais têm dentes cortantes, salientes e consomem carne: a Kit tem uma particularidade, come carne humana e regozija-se com isso.
Foram classificados pelos biólogos como carnívoros devido aos seus dentes, mas existem outras características comuns a todos os carnívoros como o corpo peludo e garras nas patas: a Kit, apesar de não possuir unhas muito compridas, afia-as de uma forma tal que só o toque provoca uma dilaceração profunda, o que a torna uma verdadeira fera.
Os gatos têm comportamentos diferentes com a sua cauda, de acordo com a raça. Mesmo assim, de uma maneira geral, as caudas dizem-nos muito sobre o seu humor. Quando levantada, mostra orgulho e contentamento; quando estendida e erecta, mostra que está a espreitar um ataque; enrolada, diz que o gato está espantado ou aflito; quando a agita de um lado para o outro, pode demonstrar que está bravo ou nervoso. A Kit gosta muito de elevar a sua cauda nos momentos em que tem oportunidade de mostrar o seu pêlo macio e sedoso (ainda que seja tratado com produtos artificiais). No entanto, não descura a possibilidade de agitá-la sempre que pode e, quando não pode (ou não deve), faz questão de abaná-la ainda com mais força e intensidade.
Os gatos geralmente pesam entre 2.5 kg e 7 kg, embora alguns exemplares podem exceder 11 kg. Existem casos de gatos com 23 kg devido à superalimentação. A Kit, fazendo jus ao tamanho do seu ego, sofre não de superalimentação, mas de hiperalimentação, ultrapassando os níveis de peso considerados normais para um gato, o que eleva o seu estado de frustração, pois não consegue higienizar-se convenientemente e a sujidade vai-se acumulando na sua mente, conduzindo à conspurcação do ambiente que a rodeia.

Perante este cenário, apenas duas hipóteses iluminam minha consciência:
- todos os gatos são assim e eu não tinha, ainda, sido capaz de despir a minha super-protecção animal e enxergar essa realidade;
- os gatos são dóceis, companheiros, sinceros e muito divertidos, pertencendo a Kit a uma estirpe em vias de extinção.

Analisando todos os dados que possuo, concluo que, de facto, a Kit é uma ave (neste caso, gata) rara, pelo que não devemos julgar todos os felinos à luz deste ser desenganado.

No entanto, não querendo parecer mal-educada, deixo aqui algumas mensagens para a Kit, porque…vale a pena pensar nisto…

“Quereis conhecer um homem? Dai-lhe um grande poder.” (Pittaco)
“O ódio é uma tendência a aproveitar todas as ocasiões para fazer mal aos outros.” (Plutarco)
“De punhos cerrados, não se pode apertar a mão a ninguém.” (Indira Ghandi)
“Ser leal a si mesmo é a única maneira de conseguir ser leal aos outros.” (Vicente Alexandre)
“Dar é o verbo mais curto da primeira conjugação. Não dar é o mais barato.” (Noel Clarasó)
“Um homem que se ocupa em demasia de si mesmo não tem tempo de conhecer os outros.” (Menandro)
“A virtude do homem não se mede pelos seus esforços, mas pelo comportamento ordinário.” (Pascal)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

KIT

A KIT nasceu no Outono e enquanto miúda aperfeiçoou a sua destreza e ferramentas naturais para se adaptar e alcançar o que queria.
Quando a conheci tinha vontade de lutar, era charmosa (em geral para conquistar todos) e barulhenta. Pensei que fazia barulho narcisista porque se sentia só na sua jaula.
Na altura em que a jaula passou para próxima da minha, apesar de já a considerar engraçada não convivia muito com ela por achar que os gatos são sempre traiçoeiros, mas sempre fui cordial.
Mais tarde, a sua jaula foi para o piso de cima, teve de se adaptar: passou a dormir num cesto mais requintado, redireccionou o seu charme (agora só para os moradores nesse piso é que interessavam), alargou a trela, mostrou as garras, por vezes eriçou o pêlo e gostou de defecar para o piso de baixo.A minha teoria sobre a perigosidade dos gatos estava a confirmar-se – são matreiros e flexíveis.

Parábola do peixinho vermelho

Num lago onde viviam vários peixes, que formavam um aglomerado, e não um cardume, por não atenderam à perspectiva global, à sobrevivência e à entreajuda.
Neste, os peixes mais fortes faziam o que queriam, comiam o que desejavam e ignoravam os outros.
O peixinho vermelho não era dos mais fortes, mas esta sempre presente quando era preciso. Ele era pequeno, sonhador e queria aprender e descobrir o que existia, pois acreditava que era mais que o lago. Acreditava em outros locais, outros peixes, mais aventura.
Esta personalidade era encarada como aspiração indesejável e, até, um desacato à ordem estabelecida, pelo que quando falava disso, os outros peixes apelidavam-no de “maluco”.
Assim, à medida que o tempo passava o peixinho sentia-se marginalizado e ignorado que pensava “se sair daqui darão pela minha falta?”.
Algum tempo depois resolveu fazê-lo, vasculhava o lago à procura de comida (cada vez mais escassa) e de uma saída. Encontrou um buraquinho muito pequeno entre as pedras limítrofes, mas como ele também já diminuíra o tamanho com o aumento da fome, insistiu e insistiu e com alguma aflição conseguiu passar para o outro lado.
Incrível! Do outro lado também havia água e com corrente, estava no rio! Seguiu o seu ímpeto, explorou, encontrou comida, fez novos amigos com quem partilhou experiências e informação, consolidando conhecimentos.
O tempo foi passando e ele chegou ao oceano, que era imenso, este mundo era muito mais amplo, com novas criaturas.
Depois de se ambientar a este contexto, lembrou-se dos colegas que deixara no lago e perguntava-se: “Será que sentem a minha falta?”, “Será que o lago ainda tem comida e água?”, “Será que verificaram que era possível romper barreiras e partiram?”, “Será que estão bem?”. Estas questões inquietavam-no.
Para não se sentir assim, resolveu, portanto, regressar para tentar ajudá-los.
Ao chegar entristeceu-se, pois a situação degradara-se: fome, seca e morte. Mas com o coração repleto de esperança procurou os colegas e quando os viu tentou dar-lhes informação e mostrar-lhes o caminho.
Os colegas, já enfraquecidos, ficaram estarrecidos, pois questionavam-se como é que o peixinho vermelho, não tendo ido a nenhum lado, ele inventara estas coisas? Sair por um buraquinho para outro mundo?! Mais liberdade?! Mais comida?!
Frente à incredulidade e resistência dos colegas persistiu em lhes dar alento e rumo, mas percebeu que continuava a ser visto como “maluco”, mesmo depois de ter visto muito mais mundo e ter voltado para ajudar.
Triste rumou à saída ainda para mostrar a um colega (já mais magro e cansado pela luta pelo oxigénio) que estava perto disse “Se quiseres viver, segue-me. Tu consegues porque eu também consegui! Agora que estás mais magro vais passar! Anda!”Habituado ao seu mundo o colega não foi e o peixinho, com o coração pesado seguiu só para fora do lago, que afinal era tão pequeno face ao que pensara em tempos e perseguiu a vontade que tinha de pertencer a um mundo maior.

Pontapé de saída

Certo dia, imbuída de um espírito de revolta por expressar, percebi que tenho de purgar a alma.
Senti (e sinto) que a minha vivência atravessa várias realidades e vislumbra inúmeras dificuldades minhas e dos outros. Neste último caso, tento ajudar, mas por muito que aconselhe e apoie é como pregar aos peixes (comunicar com outra espécie). “Pérolas dispendidas a porcos” é outra expressão que ilustraria a minha intenção de elucidar estas criaturas com as palavras certas. Depois de muito insistir, e ter a noção de que não ia muito longe, embora me incumba tentar, pensei “nunca mais é Sábado”. Não pretendo que o tempo passe, pois tudo tem consequências, mas desejo uma revolução para com os melindres contraproducentes (pleonasmo)!

Como estes sentimentos são partilhados por outras pessoas a atravessar situações similares, resolvemos fazer um blog - o chá das quatro.
Somos quatro pessoas à beira de um ataque de nervos. Precisamos de fazer o ritual do chá (para acalmar com a bebida e para mandar uns chazinhos).